És atleta, jogador de futebol ou simplesmente gostas de correr, mas depois de correr ou de outra atividade sentes dor na coxa? Neste artigo vamos analisar quais são as lesões dos músculos da coxa mais comuns nos atletas, porque surgem e quanto tempo demora a sua cicatrização. Porque é que me dói a coxa?
As lesões dos músculos da coxa são relativamente comuns em atletas que realizam movimentos dinâmicos e muito explosivos. Saltos, sprints, mudanças bruscas de direção ou pontapés são movimentos com um envolvimento imediato e de alta energia de muitos músculos, incluindo os da coxa. Nestes movimentos pode ocorrer distensão ou rotura de fibras musculares, o que depois dói intensamente1, 4.
Onde é que a coxa pode doer?
A localização da dor pode variar; tipicamente a lesão surge no local onde o músculo passa a tendão, porque é aí que a exigência sobre o músculo ultrapassa a sua capacidade. Na parte da frente, dói o quadricípite lesionado, na parte interna da coxa doem os adutores lesionados (músculos que aproximam a coxa da outra coxa) e na parte de trás doem os isquiotibiais lesionados2, 3, 4.
Fonte: Canva.com
Em que desporto a lesão da coxa é mais comum?
Embora a dor na coxa afete muitos desportos diferentes, há um que se destaca. Os músculos da coxa são mais frequentemente lesionados nos futebolistas, porque realizam todos os movimentos de risco mencionados acima. Estas lesões representam quase um terço (31 %) de todas as lesões dos futebolistas. O número mais elevado de lesões é na parte posterior da coxa (isquiotibiais), depois na parte interna (adutores) e só depois na parte da frente (musculus quadriceps femoris)1, 4.
Como se manifesta uma lesão dos músculos da coxa?
Em primeiro lugar, quando ocorre uma distensão ou rotura muscular, surge uma dor intensa imediatamente depois do movimento defeituoso. Esta dor impede o atleta de continuar o esforço e muitas vezes incomoda-o até ao caminhar. Consoante a gravidade, o membro pode inchar e, nas roturas do músculo, é frequentemente acompanhada de um grande hematoma4.

Fonte: physioroom.com, lesão dos isquiotibiais de grau 3
Quais são os fatores de risco e podem ser influenciados de alguma forma?
Entre os fatores de risco não modificáveis estão a idade mais avançada, uma lesão anterior na perna (tem tendência a repetir-se) e a dominância do membro (a perna de impulso e, portanto, mais sobrecarregada, é mais suscetível a lesões)4.
Entre os fatores de risco preveníveis estão o excesso de peso, a flexibilidade geral, o aquecimento insuficiente antes do esforço, a fraqueza dos músculos da coxa e a estabilidade insuficiente do centro do corpo. Vale a pena trabalhar estes fatores, para evitar tanto a primeira lesão como a repetição de lesões dos músculos da coxa4.
O que fazer com uma lesão na coxa e quanto tempo demora?
A resposta a esta pergunta é complicada, porque depende da gravidade e da localização da lesão, por isso é importante procurar um médico. O médico vai examinar a coxa por observação, palpação e possivelmente também por ecografia ou ressonância magnética, e com base nisso vai propor tratamento, na maioria das vezes conservador e não cirúrgico. Em qualquer caso, vais passar por um período de repouso relativo ou absoluto, seguido de reabilitação do músculo e de uma carga progressiva até voltares lentamente à carga total. De um modo geral, a duração do regresso ao desporto nas distensões menos graves é de 10 a 18 dias e nas roturas graves de 2 a 3 meses2, 3, 4.
Fontes
- Ishøi, Lasse et al. “Diagnosis, prevention and treatment of common lower extremity muscle injuries in sport - grading the evidence: a statement paper commissioned by the Danish Society of Sports Physical Therapy (DSSF).” British journal of sports medicine vol. 54,9 (2020): 528-537. doi:10.1136/bjsports-2019-101228
- Chang, Justin S et al. “Management of hamstring injuries: current concepts review.” The bone & joint journal vol. 102-B,10 (2020): 1281-1288. doi:10.1302/0301-620X.102B10.BJJ-2020-1210.R1
- Serner, Andreas et al. “Return to Sport After Criteria-Based Rehabilitation of Acute Adductor Injuries in Male Athletes: A Prospective Cohort Study.” Orthopaedic journal of sports medicine vol. 8,1 2325967119897247. 29 Jan. 2020, doi:10.1177/2325967119897247
- Mendiguchia, Jurdan et al. “Rectus femoris muscle injuries in football: a clinically relevant review of mechanisms of injury, risk factors and preventive strategies.” British journal of sports medicine vol. 47,6 (2013): 359-66. doi:10.1136/bjsports-2012-091250
- https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11664111
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